quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Investimento coreano no Brasil sobe 213% em 2011

Metódico como o empresário japonês e ousado como o chinês. É assim que advogados e consultores do setor corporativo definem o perfil do empreendedor coreano, que tem aumentado a presença no Brasil.

O IED (Investimento Estrangeiro Direto) da Coreia do Sul no Brasil de janeiro a julho de 2011 mais que triplicou em relação ao verificado no mesmo período de 2010. Saltou de US$ 194 milhões para US$ 608 milhões, um aumento de 213,4%.
O tigre asiático ficou entre os dez países que mais investiram no país neste ano até julho. Um ano antes, estava na distante 21ª colocação.
A combinação de cautela e ousadia, que pode parecer contraditória, faz dos coreanos empresários bem-sucedidos, que não costumam voltar atrás depois de uma decisão tomada.

"Eles demoram a decidir, tudo parece um pouco burocrático. Mas, depois de estabelecidas as diretrizes de um negócio, são muito ágeis e eficazes em transformar em realidade", diz Martim Machado, sócio do Campos Mello Advogados, que tem cooperação com o DLA Piper (EUA).
O Campos Mello assessorou a operação de entrada da Hyundai Heavy Industries em Itatiaia, no Rio, para construção de uma unidade para produzir máquinas pesadas para construção civil.

O processo de negociação durou um ano inteiro. Com investimento de US$ 150 milhões e conclusão prevista para o fim de 2012, será a primeira fábrica própria da empresa -que é o maior estaleiro do mundo- fora da Ásia.

A unidade terá 300 mil m², e o terreno, de 600 mil m², possibilita futuras ampliações. "O interesse deles nessa fábrica é a produção de máquinas para construção. Navios não fazem parte dos planos lá por enquanto", diz Machado.

A Hyundai Heavy Industries também é sócia da OSX, de construção naval, do empresário Eike Batista.
Já a Hyundai Motor, outra empresa, investiu US$ 600 milhões em uma fábrica em Piracicaba, interior paulista, para produzir 150 mil automóveis por ano a partir do segundo semestre de 2012.

A companhia, que já tem unidades na Rússia, Índia e China, disse ter decidido vir para o Brasil pelo "crescimento sustentável e o grande fluxo de investimentos estrangeiros [no país]".

E a Samsung Electronics investiu na ampliação da fábrica de Manaus, que passou de 50 mil m² de área construída para 120 mil m² e se tornou, em 2011, "a mais moderna da empresa no mundo", de acordo com Benjamin Sicsú, vice-presidente de novos negócios da companhia para a América Latina.
Em Manaus, a empresa, que não divulga os valores aplicados, passou a verticalizar a produção de alguns itens, montando, por exemplo, molduras de televisão.
Além disso, aposta na fabricação de tablets na unidade de Campinas desde setembro de 2010. "O Brasil é o quinto maior mercado do mundo em faturamento para a Samsung Electronics e queremos chegar ao terceiro lugar em um ano e meio, atrás só da China e dos EUA", disse Sicsú.

A Samsung Heavy Industries, outra empresa, é sócia de Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e PJMR no Estaleiro Atlântico Sul, o maior do país, no complexo portuário de Suape (PE).

Fonte: Folha

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