domingo, 17 de julho de 2011

Governo gaúcho e empresários buscam oportunidades junto ao Porto de Suape

 Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Sul, realizou, no dia 06 de julho, um evento estratégico para o polo naval da zona Sul. Liderou uma visita em comitiva com empresários ao Complexo Portuário de Suape, em Pernambuco. 


O objetivo foi conhecer a experiência local para verificar possibilidades de negócios no processo de expansão da indústria naval nordestina, "de maneira a descobrir que negócios podem ser feitos com as empresas do Rio Grande do Sul", divulgou a própria Agência.

De acordo com o presidente da AGDI, Marcus Coester, há oportunidades que poderiam ser aproveitadas por fornecedores gaúchos, onde a tradição metal-mecânica é mais consolidada do que no Nordeste. Dos US$ 224 bilhões que a Petrobrás pretende investir até 2014, cerca de 40% está na região, que cresce a ritmo mais elevado do que o País. A expansão abre caminhos para um crescimento estratégico das empresas gaúchas da indústria oceânica. "Há mercado para as nossas empresas, pois existem poucos fornecedores locais", explicou Coester, ao final da visita.

No complexo de Suape, estão sendo erguidos uma refinaria de US$ 13 bilhões e uma planta petroquímica de US$ 2,5 bilhões. O desafio de gestão que está colocado para a nova estratégia de desenvolvimento do Estado, segundo Coester, é equilibrar a conquista de novos mercados, gerando empregos no Rio Grande do Sul.

A visita, organizada em parceria com a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) e que contou com a participação do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e do Badesul, também serviu para conhecer a experiência de gestão do polo naval.

O Complexo Portuário é administrado por uma empresa, a Suape Global. Coester entende que os desafios entre a experiência gaúcha e pernambucana são semelhantes no sentido de encontrar mão-de-obra qualificada e garantir um fornecimento de matéria-prima. "Se quisermos ser competitivos nesta indústria, precisamos encontrar uma solução para o problema do preço do aço brasileiro, que é elevado", disse Coester. Em agosto, um grupo de pernambucanos vai retribuir a visita técnica e virá conhecer a experiência gaúcha.

Polo Naval gaúcho avança - O projeto de construção de um estaleiro na região de São José do Norte, na zona Sul do Rio Grande do Sul, muito próximo ao Porto de Rio Grande, deve ter a licença ambiental necessária para o começo das obras neste segundo semestre. A projeção é do presidente da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI), Marcus Coester, e tem sido um dos temas de maior repercussão entre as atividades da gestão atual da Secretaria de Desenvolvimento do Estado. A AGDI está vinculada à Secretaria. Desde que assumiu a Agência, no início de 2011, Coester tem se empenhado para efetivar as promessas e oportunidades de investimentos na área de negócios já chamada pelos empresários gaúchos de Nova Economia do Polo Naval, incluindo também possibilidades na área de Petróleo e Gás.

No caso de Polo Naval, a empresa Estaleiros do Brasil (EBR) espera essa liberação para iniciar o seu empreendimento no Estado. Há poucos dias, representantes da companhia e do grupo de trabalho de licenciamento ambiental, coordenado pelo gabinete do governador Tarso Genro e que tem como objetivo acelerar as iniciativas consideradas estratégicas para o Estado, reuniram-se.

Coester acredita que as tratativas realizadas atendem ao cronograma da companhia, que terá tempo hábil para participar de concorrências realizadas pela gigante Petrobras. A EBR é controlada pela Setal Óleo e Gás (SOG) e anunciou oficialmente a sua intenção de realizar um estaleiro no Rio Grande do Sul em novembro do ano passado. Na ocasião, o presidente da empresa, Alberto Padilla, detalhou que a estrutura, em uma primeira fase, depois de um ano da conquista do licenciamento, deverá desenvolver a implementação de módulos de plataformas de petróleo.

De acordo com as imprensa local, em uma segunda etapa do projeto, após dois anos da licença, deverá operar em plena capacidade, podendo atender a encomendas de plataformas inteiras.

O complexo também realizará navios AHTS (Anchor Handling Tug Supply), embarcações especializadas no apoio da produção e exploração do petróleo. O investimento no estaleiro é estimado atualmente em R$ 672 milhões. Marcos Coester afirma que se trata de um investimento significativo dentro da cadeia oceânica, vista como prioridade pelo governo.

Em apresentações realizadas para empresários gaúchos, como na Federação das Indústrias, o presidente da Agência confirmou que a obra contribuirá para o desenvolvimento da região, que enfrenta hoje dificuldades econômicas. "O estaleiro praticamente não implica emissões, sendo uma indústria de baixo impacto ambiental, adequada para aquele local", afirmou.

Por outro lado, o Coester, adianta que a EBR deve apresentar o estudo de impacto ambiental (EIA) do estaleiro ainda em julho. De acordo com informações do governo estadual, o EIA deverá definir os limites da área geográfica a ser afetada diretamente pela atividade e dos territórios que sofrerão influência direta ou indireta.

Além das delimitações, essas áreas deverão ser caracterizadas segundo suas peculiaridades e os impactos às quais serão submetidas. Nesse item, deverão ser considerados parâmetros como bacia hidrográfica, uso e ocupação do solo, bem como indicadores sociais, ecossistemas predominantes, entre outros pontos.

Caberá à empresa, ainda, analisar as medidas socioeconômicas para que a região tenha condições de receber o empreendimento que, segundo as estimativas, deve quadruplicar a população de São José do Norte nos próximos anos e fomentar a economia da região.

Além do processo na Fepam, a Procuradoria da República no município de Rio Grande instaurou um procedimento administrativo para acompanhar o licenciamento ambiental do estaleiro. A procuradora do Ministério Público Federal de Rio Grande, Anelise Becker, lembra que a área portuária localizada em São José do Norte não possui ainda empreendimentos implantados.

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