sábado, 26 de fevereiro de 2011

Sete Brasil já sai do papel


Os sete navios-sondas que serão construídos pelo Atlântico Sul estão orçados em US$ 4,63 bilhões. Foto: Teresa Maia/DP/D.A.Press
Aempresa Sete Brasil, criada pela Petrobras para ser proprietária dos sete navios-sondas que serão construídos pelo Estaleiro Atlântico Sul, em Suape, começa a ganhar corpo. O primeiro cotista já confirmou oficialmente sua participação no Fundo de Investimentos em Participações - FIP Sondas: a Previ - Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. A instituição aprovou um investimento de R$ 150 milhões, limitado a 25% do fundo.

O FIP Sondas ainda não teve seu regulamento enviado para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mas seu modelo de negócio prevê a participação de sete cotistas, sendo quatro institucionais - Previ, Petros (Petrobras), Funcef (Caixa Econômica Federal) e Valia (Vale) - e dois financeiros (bancos Santander e Bradesco). Até agora, somente a Previ teve o investimento aprovado oficialmente. Os demais estão em fase de análise.

´A Previ já é acionista da Petrobras e também participou da última capitalização feita pela companhia. Participar desse projeto (do FIP Sondas) é participar de uma cadeia na qual já estamos inseridos`, justificou o presidente da Previ, Ricardo Flores, quando perguntado sobre a rapidez com que o investimento foi aprovado pela diretoria.

Segundo ele, o setor de petróleo e gás está economicamente aquecido e a Previ entende que esse investimento será bom para o Brasil e para o fundo de pensão. ´O FIP tem como objetivo a criação de uma empresa inédita que vai construir sondas, equipamentos fundamentais para a exploração no pré-sal. E vai gerar empregos. Em Pernambuco, serão 9,2 mil empregos diretos e 27,9 mil indiretos`, completou.

O FIP Sondas terá participação de 90% na Sete Brasil, seu único ativo, com capital equivalente a US$ 810 milhões. O fundo será gerido pela Caixa Econômica Federal. O restante (10%) será aportado pela Petrobras, cerca de US$ 90 milhões, totalizando portanto um capital social de aproximadamente US$ 900 milhões. 

Estes sete navios-sondas que serão construídos pelo Atlântico Sul estão orçadosem US$ 4,63 bilhões. É o primeiro de um total de quatro lotes, somando 28 unidades de perfuração marítima que a Petrobras pretende contratar no Brasil. A contratação do primeiro lote foi aprovada na semana passada e as sondas devem entrar em operação em 2015.

Em comunicado divulgado na ocasião, a Petrobras explicou que a Sete Brasil será a proprietária das sondas e vai afretá-las para a companhia. A taxa diária de afretamento ficará entre US$ 430 mil e US$ 475 mil. A holding ainda não definiu quando irá contratar as demais 21 sondas, mas garantiu que todas serão construídas no Brasil, a exemplo das plataformas que vem contratando. Depois do EAS, quem ficou em segundo lugar foi o consórcio Alusa Galvão, que planeja construir um estaleiro no Norte fluminense.

O EAS, fruto de um investimento de R$ 2 bilhões, tem como sócios os grupos brasileiros Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e a empresa PJMR, além da sul-coreana Samsung Heavy Industries. Além dos sete navios-sondas, o EAS possui em carteira 22 navios petroleiros (14 do tipo Suezmax e 9 Aframax) e o casco da plataforma P-55, da Petrobras. 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Localfrio compra 4 empresas em Suape

O grupo paulista Localfrio – especializado em solução logística integrada – desembarca no mercado de Pernambuco, apostando na aquisição de quatro empresas no Complexo de Suape. A compra da Suata Terminais, Atlântico Terminais, Suata Transportes e Suata Log vai permitir um ganho de R$ 100 milhões no faturamento anual do grupo, que fechou em R$ 200 milhões em 2010. A companhia não divulga o valor da transação, por conta de uma cláusula de confidencialidade no contrato de compra e venda, mas pelos preços praticados hoje em Suape – uma das áreas de negócios mais cobiçadas do País – dá para estimar que o investimento foi alto.

O presidente do Grupo Localfrio, Marcelo Orpinelli, conta que a negociação não foi fácil. Do namoro até a concretização do negócio, que precisou ser aprovado pela Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça, foram seis meses de muita conversa. Prestes a completar um ano no cargo, em março, Orpinelli foi contratado com a missão de dobrar o faturamento do grupo em cinco anos, passando de R$ 200 milhões em 2010 para R$ 400 milhões em 2015. Pelo ritmo acelerado dos negócios deverá entregar o desafio cumprido já em 2012. "Aí vão me encomendar uma missão mais difícil", brinca.

"Para conseguir alcançar essa meta, a estratégia mais eficiente seria apostar na aquisição de operações já consolidadas, em vez de acreditar num crescimento orgânico. Quando decidimos mirar em Pernambuco estávamos atentos ao que está acontecendo no Estado, onde a economia cresce acima da média nacional e o Porto de Suape é o grande polo de investimentos", analisa. Além da aquisição das quatro empresas, o executivo adianta que está prospectando outros negócios no Estado. No âmbito local, a empresa já conta com clientes como Petrobras e PetroquímicaSuape. A empresa quer oferecer aos clientes uma solução integrada, que permita a movimentação de carga do navio até a porta da empresa.

Apesar do nome Localfrio, que pode remeter a carga refrigerada, numa referência à fundação da empresa (que começou como um armazém frigorífico), o grupo oferece serviços de movimentação e armazenagem de carga geral, refrigerada, congelada e seca, além de produtos químicos, contêineres e cargas especiais de pequeno e grande porte.

A importância que Pernambuco passará a ter nos negócios do grupo pode ser medida pelo plano de investimento previsto para este ano. Do total de R$ 40 milhões que serão aportados pela companhia, R$ 20 milhões serão destinados ao Estado. O dinheiro será aplicado na aquisição de 30 novos caminhões para reforçar a frota atual de 80 veículos da Suata Transportes, além de melhorar a infraestrutura dos terminais, com a construção de pátios e armazéns.

Nas aquisições em Suape, além de operações já consolidadas (veja arte ao lado), a Localfrio também comprou novos negócios, como a Suata Log, que ainda está em fase de construção. Localizada em frente ao terreno da Refinaria Abreu e Lima, nas proximidades da Mossi & Ghisolfi, a área de 98 mil metros quadrados terá pátios e armazéns. A ideia é iniciar a terraplenagem e concluir o primeiro dos três armazéns (cada um com 10 mil m²) num prazo de 10 meses.

Fonte: Jornal do Commercio

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Boom de vagas na área química

Depois de anos estudando para concursos, hoje Claudiândela Vieira Cavalcanti, 32 anos, está rindo à toa. Ela faz parte de um grupo de oito pessoas aprovadas para o cargo de auxiliar de produção têxtil (nível médio), no primeiro concurso aberto pela Citepe, uma das empresas da PetroquímicaSuape, em 2009. A PQS, um complexo integrado com três unidades industriais, vai gerar 1,8 mil empregos diretos na operação, mas segundo estimativas da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o impacto na indústria química local será de 5,8 mil vagas até 2014.


Claudiândela Vieira Cavalcanti comemora aprovação em seleção e emprego na PQS e ensina: ´Passar não é difícil, mas tem que estudar. Foto: Juliana Leitao/DP/D.A Press
O resultado do concurso da Citepe saiu praticamente de forma simultânea à seleção pública promovida pela Secretaria Estadual de Educação, na qual Claudeândela também foi aprovada. Mas ela não teve dúvida: apostou em Suape. A então candidata concorreu com 126 pessoas. ´Achei que aqui eu teria mais chances de crescer`, diz. E ensina: ´Passar não é difícil, mas tem que estudar. Conhecimento é tudo`. 

Natural de Serra Talhada, a 415 quilômetros do Recife, no Sertão, Claudiândela migrou para a capital há 11 anos. ´Eu queria correr atrás de um objetivo, trabalhar, ser independente`, conta a sertaneja, que já passou por duas separações e tem três filhos. Por ter feito o curso de licenciatura em matemática, passou a maior parte de sua vida produtiva em sala de aula. O desejo de mudança, entretanto, sempre esteve latente. De 2008 para cá foram pelo menos 15 concursos, até o ingresso na planta de filamentos e fios de poliéster em Suape.

Essa unidade está em pré-operação desde agosto de 2010, com duas das 64 máquinas previstas em funcionamento. Diferentemente das plantas de PTA e PET, que ainda estão em fase de construção. Juntas, as duas empresas já abriram 274 postos de trabalho, incluindo as 92 vagas cujo edital ainda está em aberto. Se tiver interesse corra, pois as inscrições terminam no próximo domingo, dia 27, (www.cesgranrio.org.br). Há previsão de serem realizados mais dois concursos neste ano. 

Engenheiro químico, Rodrigo Pontual, 34 anos, também conseguiu ser aprovado para o cargo de supervisor de produção (nível médio) na PetroquímicaSuape no concurso de 2009. Eram 112 candidatos para duas vagas. ´Sempre quis trabalhar na área química, mas essa área tinha pouco destaque em Pernambuco. Vi esse concurso no jornal, consegui me inscrever e deu tudo certo`, comemora. 

Desde então Rodrigo vem participando de vários treinamentos, tendo inclusive passado duas semanas na Índia conhecendo uma planta similar da Reliance, em Hazira. ´Foi uma experiência bastante interessante. O conhecimento que adquirimos lá estamos repassando aos que chegam depois`, conta o engenheiro, considerando-se um privilegiado por estar participando do pontapé inicial da PQS. 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

48 milhões de toneladas de cargas em Suape até 2014


O terminal de contêineres do Porto de Suape terminou o ano de 2010 acima das nove milhões de toneladas de cargas e prevê que, em 2011, chegue a dez milhões de toneladas. Mais: até 2014, serão 48 milhões de toneladas. "Isso vai nos transformar em um porto maior que o de Paranaguá, no Paraná (um dos maiores do País)", disse o vice-presidente de Suape, Frederico Amâncio, sobre os números apresentados nas palestras que marcaram os três anos de mercado da revista Negócios PE, mediadas pe­los colunistas de Economia da Folha de Pernambuco, Sarah Eleutério, e do Jornal do Commercio, Fernando Castilho. Os índices mostraram os trilhos pe­los quais seguem o desenvolvimento do Estado e, principalmente, previsões otimistas. No entanto, ainda se lida com o deficit de mão de obra e de escolaridade, que estão do outro lado do crescimento de Pernambuco: os números e previsões astronômicas de Suape versus as dificuldades de acompanhar a velocidade como as cifras crescem por aqui.

Embora positivos, os dados apontam contradições entre os índices do Estado. Por exemplo, como serão guiadas as políticas públicas que já preparam Pernambuco para a Copa do Mundo de 2014, quando pesquisa do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) mostra que 22% dos turistas que pretendem vir ao evento se preocupam, principalmente, com a (falta de) segurança. "A Copa terá grande capacidade de atrair turistas e investimentos para o setor e será ainda grande motivo para resolver o problema da segurança", disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH), José Otávio Meira Lins. E o que o setor turístico quer, disse Meira Lins, é conquistar esse visitante e sair do insistente índice de 5,5 milhões de turistas/ano. "A meta é duplicar", mensurou.

A falta de mão de obra qualificada é um dos entraves. O diretor geral da Universidade Estácio, Leonardo Estevam, lembrou que no ranking do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), Pernambuco aparece em 19º lugar, com nota 4,1, colado com o Rio de Janeiro, "que também vai muito mal". Na mesma lista, o Nordeste recebeu nota 3,8 e o Brasil, 4,6. A taxa de desocupação no Brasil é de cerca de 5%, enquanto em Pernambuco che­ga em torno dos 7%. "Pernambuco cresce mais que o Brasil e, desde 2009, a indústria é a grande impulsionadora dessa história", comentou Estevam. Outro número: o mercado de ensino superior público cresceu 1,5% no País, no último ano. Em Pernambuco, 15%.

Fonte: Folha de Pernambuco

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Metalmecânica em alta

A chegada de um polo naval a Suape acabou mexendo com toda a cadeia metalmecânica do estado. Um ramo que viveu sua época de ouro nos anos 1960 e 1970, mas que declinou juntamente com a atividade sucroalcooleira na década seguinte. Desde 2007, no entanto, as obras de construção e montagem dos grandes empreendimentos voltou a movimentar o segmento. Isso vem se traduzindo em mais empregos para os pernambucanos.

Somente a Metalgil, no Cabo de Santo Agostinho, abriu 176 vagas de 2007 para cá. ´Estamos no mercado desde 1963 e sobrevivemos à crise do açúcar. Agora Pernambuco está crescendo muito e a Metalgil cresce junto`, declara o diretor comercial Gil Martins. Desde 2008 foram investidos R$ 4,5 milhões em equipamentos, melhoras de processos e capacitação de mão de obra.

A Metalgil vem contratando soldadores, caldeireiros e operadores de máquinas, além de engenheiros mecânicos e elétricos. Valter de Santana Lira, 34 anos, foi porteiro durante 12 anos antes de virar ajudante e depois soldador capacitado pela empresa. ´Encontrei aqui uma oportunidade`, comemora Valter.

O salário de um soldador varia de R$ 870 a R$ 1,8 mil e pode chegar a R$ 15 mil, caso o profissional seja certificado para fazer inspeção de solda. João Amaro da Silva, 44, morador de Ponte dos Carvalhos, no Cabo, conta que nunca ficou desempregado. Fez cursos no Senai e hoje atua como inspetor. Antes de ser contratado pela Metalgil, há um ano, trabalhou em outras nove empresas.

´Não sei o que é seguro-desemprego desde que me especializei em solda`, conta um João orgulhoso, que cresceu em uma família de soldadores e trabalha na área desde os 7 anos. ´Queria que meus filhos seguissem outra carreira, mas os três resolveram ser soldadores também. Fico muito feliz.`

E não é só o polo naval que está trazendo oportunidades. O setor eólico também anima esse mercado. ´Metalúrgicas estão sendo reativadas e modernizadas em função de Suape`, pontua o presidente do Sindicato da Indústria Metalmecânica, Sebastião Pontes.


Fonte: Diário de Pernambuco (PE)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Suape ganha o 3º estaleiro

Pernambuco acaba de confirmar a vinda de mais um estaleiro para o Complexo Industrial Portuário de Suape - o terceiro, depois do Atlântico Sul e do Promar. O empreendimento é capitaneado pelo consórcio Galíctio, formado pelas empresas espanholas Indasa, Tecnyno, Electro Rayma e Gabadi. O investimento é de US$ 440 milhões (cerca de R$ 737 milhões, pelo câmbio de ontem), com previsão de gerar 500 empregos durante a construção e 4.000 na operação.


Complexo Industrial Portuário de Suape já conta com o Estaleiro Atlântico Sul, além do Promar Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press - 28/12/07
O Galíctio vai atuar no segmento de construção e de reparo de embarcações, atendendo a uma demanda da Petrobras Transporte (Transpetro). Atualmente, a estatal realiza o conserto de seus navios em Cingapura e na Coreia do Sul, ´exportando` empregos, porque não há um estaleiro deste tipo e porte funcionando no país. A área separada para o empreendimento é de 40 hectares, por trás do local onde já funciona o Atlântico Sul, na Ilha de Tatuoca.

´Nossa empresa procurou se expandir para fora da Europa e Pernambuco foi o lugar ideal para fazermos isso`, disse ontem no Recifeo presidente do consórcio, Isidro Silveira Rey, ao participar da cerimônia de assinatura de um protocolo de intenções no Palácio do Campo das Princesas.

Juntamente com o protocolo do estaleiro foram assinados três outros documentos para implantação de novas indústrias no estado. Juntos, os quatro empreendimentos somam investimentos de R$ 836 milhões com previsão de gerar mais de 5 mil empregos. O governador Eduardo Campos comemorou.

´É muito bom você fechar uma semana assinando quatro protocolos como esses, de grandes empreendimentos que se referem a quatro importantes iniciativas que chegam a Pernambuco`, discursou o governador, lembrando que o estado vive um momento ´extremamente animado` de sua economia.

Depois do estaleiro, o segundo maior investimento anunciado ontem foi a Companhia Brasileira de Vidros Automotivos (CBVA), do Grupo Cornélio Brennand. Será instalado em Goiana, na mesma região onde será implantada a Companhia Brasileira de Vidros Planos (CBVP), numa área de 50 hectares. A nova indústria terá capacidade produtiva de 25 mil toneladas/ano e deverá se tornar fornecedora da fábrica da Fiat.

´Acreditamos que a região (Suape) será um importante polo automotivo, a prova disso está na instalação da montadora Fiat, o que reforça o grande potencial existente nessa região`, afirma o diretor executivo Paulo Drummond. . O faturamento estimado é de R$ 80 milhões/ano.

A CBVA é a primeira empresa que chega ao estado atraída pela fábrica da Fiat em Suape, âncora do mais novo polo automobilístico do país. A Moura, fabricante de baterias com sede em Belo Jardim, anunciou que negocia com a Fiat a instalação de uma unidade para fornecimento de novos produtos. O investimento estimado é de R$ 500 milhões. (M.B.)

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