terça-feira, 12 de outubro de 2010

Recife terá montadora de navios

 
 

De um estaleiro no Complexo de Suape para um canteiro naval no Porto do Recife. As negociações para a mudança no endereço e no perfil do investimento do Grupo Schahin em Pernambuco estão em processo avançado. A empresa corre contra o tempo para atender o prazo firmado com a Petrobras, de entregar um navio-plataforma FPSO de US$ 1,5 bilhão em outubro de 2012. Como erguer uma fábrica de embarcações de R$ 300 milhões em Suape poderia levar até três anos, optou por um "plano B". A unidade de montagem no ancoradouro da capital pernambucana pode ser construída em, no máximo, seis meses. O contrato ainda não foi assinado, mas as estimativas oficiais são de que tudo estará resolvido até o final deste ano.

O novo valor do investimento também não foi definido. Confirmados apenas os 1.500 postos de trabalho, podendo chegar a 1.800 no período de pico de operação. Diferentemente de um estaleiro, onde chapas de aço se transformam em um navio, o canteiro naval realiza a montagem e integração de cada um dos módulos da plataforma. Todos eles vão atracar prontos no Porto do Recife. O casco da embarcação, por exemplo, virá da China – está previsto para chegar em novembro de 2011. Ficará parado no ancoradouro recifense até que sejam acoplados todos os componentes. O empreendimento vai ocupar uma área de 69 mil metros quadrados (m²) que compreende o Cais 2 e a sua parte de trás.

Segundo informações da diretoria do Porto do Recife, o Grupo Schahin já se prepara para dar entrada na licença de instalação do canteiro naval, após ter obtido uma autorização prévia da Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH) no último dia 22 de setembro, além do aval do órgão ambiental da Prefeitura da Cidade do Recife (PCR). Em paralelo, todas os dados sobre o empreendimento estão sendo compiladas e serão enviados à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Fernando Bezerra Coelho, estimou em 30 dias o tempo necessário para análise das informações.

O projeto do estaleiro do Grupo Schahin em Suape foi anunciado em fevereiro, em uma cerimônia no Palácio do Campo das Princesas repleta de personalidades políticas. No evento, fora dito que o início das obras aconteceria em julho, em uma parceria com a Tomé Engenharia. E que Suape dispunha de uma área de 40 hectares com abastecimento regular de água. Só que os recursos hídricos foram justamente uma das pedras no sapato. O Porto do Recife foi a solução encontrada para garantir que o investimento ficasse em Pernambuco e que a empresa não tivesse problemas com a Petrobras.

As negociações e visitas ao ancoradouro da capital pernambucana foram intensas nos últimos seis meses. "A nossa preocupação era que o empreendimento não viesse a atrapalhar as operações do Porto, que além do Terminal Marítimo de Passageiros se prepara para voltar a receber contêineres até o final deste ano. Por isso, passamos muito tempo discutindo", informou o diretor de operações do Porto do Recife, Hermes Delgado, acrescentando que uma das contrapartidas da Schahin será investir até R$ 7 milhões em obras de melhoria na infraestrutura no local.

Fonte: Jornal do Commercio

 

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