segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Gigante chinesa de olho em Suape

XANGAI (China) - O complexo portuário e industrial de Suape entrou, definitivamente, na agenda de interesse dos gigantes globais. Maior fabricante mundial de guindastes portuários, a Shangay Zhenhua Heavy Industries Company Limited (ZPMC) listou o maior empreendimento pernambucano entre suas prioridades para o curto prazo. Em novembro, executivos da empresa chinesa vão ao Brasil negociar o possível fornecimento de máquinas.

"Suape é muito interessante para nós. Queremos entrar em Pernambuco com empresas brasileiras. Queremos vender e depois entrar investindo", diz Karenyna Weiss, brasileira que atua como executiva da empresa chinesa. A ZPMC, que já vendeu os chamados portêineres (grandes guindastes usados para retirar os contêineres dos navios) para o Tecon Suape, busca parceria com duas grandes empresas brasileiras: Odebrecht e EBX, do empresário Eike Batista. O encontro entre empresários e técnicos brasileiros com os representantes da gigante asiática foi promovido pela Fecomércio de Pernambuco, que lidera e organiza a missão empresarial do Nordeste do Brasil à China 2010.

Ligada à estatal chinesa CCCC, a fábrica da ZPMC, que tem 60% de capital do governo, impressiona pelo tamanho. Instalada próxima a Xangai, numa área construída de 5 quilômetros quadrados em Changxin Island, a empresa funciona 24 horas, com 20 mil funcionários trabalhando na produção de navios, engrenagens, plataformas marinhas (quase uma por dia), pontes, gasodutos e milhares de outros produtos, sempre utilizando o aço como matéria-prima. "Nossa lógica é construir rápido, aproveitando tudo que o mundo está querendo", explica Karenyna. A megafábrica da ZPMC foi erguida em 1994, onde antes estava uma plantação de laranjas. Só para se ter uma ideia do caráter superlativo do empreendimento, basta dizer que o braço de construção de navio dos chineses processa por ano 2 milhões de toneladas de aço, 15 vezes mais que o Estaleiro Atlântico Sul, em Suape.

Ao lado de outro executivo da empresa, Richard Zhang, a brasileira recebeu o presidente da Fecomércio, Josias Albuquerque, o superintendente do Sebrae-PE, Nilo Simões, e o coordenador de atendimento ao cliente de Suape, Tony Kuo.

Segundo Tony Kuo, brasileiro de origem taiwanesa que, além de conhecer todos os números de Suape (é coordenador de novos clientes do complexo), também atua como intérprete na missão da Fecomércio, a lógica do investimento da ZPMC tem que ser bilateral e com troca de tecnologia. Devemos, sim, abrir para que ele vendam, mas é importante também que os chineses invistam em infraestrutura no porto pernambucano. Para tal, Kuo lista os argumentos: "Suape tem 15 km de cais, foco em petróleo, gás e indústria naval. Tem tudo a ver com a atividade deles."

Fonte: Jornal do Commercio

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Empreendimento vai funcionar por 5 anos


 
Quando confirmado, o canteiro naval do Grupo Schahin no Porto do Recife será "provisório e transitório", informou Fernando Bezerra Coelho. Irá funcionar por cinco anos. Esse é o tempo necessário para atender o prazo de entrega da encomenda bilionária da Petrobras (R$ 2,49 bilhões, de acordo com a cotação da moeda americana de ontem) e para preparar uma área com toda infraestrutura necessária para o empreendimento se instalar em Suape.

"Para viabilizar a nova operação vamos retirar algumas cargas que hoje chegam no Porto do Recife, a exemplo do coque de petróleo, que passará a ser concentrado em Suape", acrescentou Bezerra Coelho. O Cais 2 do ancoradouro recifense, área destinada à implantação do empreendimento, está ocioso atualmente. Além de poder abrigar uma operação inédita na história do Recife, será todo requalificado.

Quando bater o martelo, a Schahin irá promover melhorias também nos silos, estruturas que servem para armazenar grãos que chegam no Porto, como malte de cevada, ingrediente da cerveja. Isso porque, quando o casco chinês chegar no próximo ano, boa parte do ancoradouro será ocupada. "Vamos precisar que as outras operações de desembarque sejam otimizadas", explicou Hermes Delgado.

O funcionamento do canteiro naval irá representar um salto nas receitas do Porto do Recife. Primeiro, a empresa irá pagar aluguel pelo uso da área. Segundo, todos os componentes necessários para montagem da plataforma virão de fora do País e irão pagar tarifas diferenciadas quando desembarcarem.

O navio-plataforma FPSO (sigla para Floating, Production, Storage and Offloading) que será construído pela Schahin é a primeira embarcação brasileira para exploração das reservas do pré-sal. A sua função é separar o óleo e o gás natural do petróleo retirado a sete quilômetros de profundidade e, depois processar, armazenar e transportar os produtos. Ele será utilizado no Campo de Guará, situado na Bacia de Santos, que vai do Rio de Janeiro a Santa Catarina

A mudança no local e no tipo do empreendimento não representa um enfraquecimento nos planos de tornar Suape um polo naval, garantiu Bezerra Coelho. "Estamos próximos de anunciar um terceiro estaleiro. As negociações estão avançadas com o consórcio Construcap-Orteng, que já definiu seu parceiro tecnológico e que aumentou a área que deseja utilizar em Suape de 40 para 100 hectares", informou.

Fonte: Jornal do Commercio

 

Recife terá montadora de navios

 
 

De um estaleiro no Complexo de Suape para um canteiro naval no Porto do Recife. As negociações para a mudança no endereço e no perfil do investimento do Grupo Schahin em Pernambuco estão em processo avançado. A empresa corre contra o tempo para atender o prazo firmado com a Petrobras, de entregar um navio-plataforma FPSO de US$ 1,5 bilhão em outubro de 2012. Como erguer uma fábrica de embarcações de R$ 300 milhões em Suape poderia levar até três anos, optou por um "plano B". A unidade de montagem no ancoradouro da capital pernambucana pode ser construída em, no máximo, seis meses. O contrato ainda não foi assinado, mas as estimativas oficiais são de que tudo estará resolvido até o final deste ano.

O novo valor do investimento também não foi definido. Confirmados apenas os 1.500 postos de trabalho, podendo chegar a 1.800 no período de pico de operação. Diferentemente de um estaleiro, onde chapas de aço se transformam em um navio, o canteiro naval realiza a montagem e integração de cada um dos módulos da plataforma. Todos eles vão atracar prontos no Porto do Recife. O casco da embarcação, por exemplo, virá da China – está previsto para chegar em novembro de 2011. Ficará parado no ancoradouro recifense até que sejam acoplados todos os componentes. O empreendimento vai ocupar uma área de 69 mil metros quadrados (m²) que compreende o Cais 2 e a sua parte de trás.

Segundo informações da diretoria do Porto do Recife, o Grupo Schahin já se prepara para dar entrada na licença de instalação do canteiro naval, após ter obtido uma autorização prévia da Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH) no último dia 22 de setembro, além do aval do órgão ambiental da Prefeitura da Cidade do Recife (PCR). Em paralelo, todas os dados sobre o empreendimento estão sendo compiladas e serão enviados à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Fernando Bezerra Coelho, estimou em 30 dias o tempo necessário para análise das informações.

O projeto do estaleiro do Grupo Schahin em Suape foi anunciado em fevereiro, em uma cerimônia no Palácio do Campo das Princesas repleta de personalidades políticas. No evento, fora dito que o início das obras aconteceria em julho, em uma parceria com a Tomé Engenharia. E que Suape dispunha de uma área de 40 hectares com abastecimento regular de água. Só que os recursos hídricos foram justamente uma das pedras no sapato. O Porto do Recife foi a solução encontrada para garantir que o investimento ficasse em Pernambuco e que a empresa não tivesse problemas com a Petrobras.

As negociações e visitas ao ancoradouro da capital pernambucana foram intensas nos últimos seis meses. "A nossa preocupação era que o empreendimento não viesse a atrapalhar as operações do Porto, que além do Terminal Marítimo de Passageiros se prepara para voltar a receber contêineres até o final deste ano. Por isso, passamos muito tempo discutindo", informou o diretor de operações do Porto do Recife, Hermes Delgado, acrescentando que uma das contrapartidas da Schahin será investir até R$ 7 milhões em obras de melhoria na infraestrutura no local.

Fonte: Jornal do Commercio

 

Follow by Email