sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Chineses combatem "pirataria

Chineses combatem "pirataria"
XCMG // Empresa, que terá montadora em Suape, quer coibir importação paralela de suas máquinas pesadas no Brasil
Micheline Batista
michelinebatista.pe@dabr.com.br


A chinesa XCMG, que está implantando uma montadora de máquinas pesadas no Complexo Industrial Portuário de Suape, decidiu fechar o cerco contra os importadores "piratas". A empresa acaba de contratar um escritório de advocacia no Brasil para proteger o acordo de distribuição e venda exclusiva que mantém com a Êxito Import & Export, também parceira no empreendimento anunciado para Pernambuco. O objetivo é adotar medidas legais para coibir a venda de máquinas adquiridas via importação paralela no país.


As máquinas da XCMG são comercializadas por 22 revendas no país. Foto: Debora Alves/Divulgação
Em época de boom na construção civil, é bom ficar de olhos bem abertos. Para se ter uma ideia, cerca de 80% dos guindastes em operação em Suape são da marca XCMG. Não se sabe quantas foram importadas de forma regular. "As máquinas adquiridas no paralelo não são aptas a trabalhar no clima tropical e não contam com assistência técnica adequada. Não há nem mesmo garantia de entrega, pois muitas vezes as tradings chinesas vendem o equipamento sem que ele exista no estoque", diz o sócio-diretor da Êxito, José Roberto Gomes.

Segundo ele, a Êxito só comercializa produtos que já estão no Brasil e oferece assistência técnica e pós-venda. Em relação à assistência técnica, uma das vantagens da aquisição via importador autorizado que o executivo aponta é a instalação do motor Cummins, fabricado nacionalmente. "Se houver algum problema, quem vai dar garantia e assistência é a Cummins do Brasil", acrescenta José Roberto. As peças para reposição, por sua vez, são destinadas apenas aos equipamentos "tropicalizados" e o estoque é planejado de acordo apenas com as vendas feitas pelo distribuidor autorizado.

A Êxito comercializa as máquinas da XCMG por meio de 22 revendas espalhadas pelo país. Em Pernambuco, a venda ocorre através da Comaq, que fica em Jaboatão dos Guararapes. "Quem compra por meio de outro canal está fazendo um péssimo negócio. Vai pagar o mesmo preço e ficar sem assistência", avisa José Roberto. O preço de uma máquina de terraplenagem varia de R$ 170 mil a R$ 600 mil.Já os guindastes variam de R$ 450 mil a R$ 3,2 milhões.

A XCMG, 10ª maior fábrica de máquinas e equipamentos para construção civil no mundo, tem condições de rastrear as máquinas que exporta pelo número do chassi. Há notícia, inclusive, de que alguns equipamentos enviados como ajuda a países africanos, como Angola, são desviados e vendidos clandestinamente no Brasil. A montadora autorizou o escritório de advocacia a emitir notificações extrajudiciais via correio, advertindo os importadores piratas de que essa é uma prática ilegal.

"Já notificamos 12 importadoras e sete já cessaram essa prática. As que insistirem serão acionadas na Justiça, pois vamos entrar com uma ação cominatória pedindo ao juiz que estabeleça uma multa por cada importação irregular", explica o advogado da XCMG no Brasil, Napoleão Casado Filho. Também será solicitada a indenização por danos morais, porque a marca XCMG sai prejudicada, podendo perder credibilidade. 

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