sexta-feira, 9 de julho de 2010

Economista pede novo sistema de emprego

Pernambuco precisa montar um sistema público de emprego que inclua vagas com exigência elevada de formação acadêmica, segundo especialistas que participaram do Suape Business Meeting

Diante da grande quantidade de postos de trabalho previstos para a construção e operação das megafábricas do Complexo Industrial e Portuário de Suape, Pernambuco precisa montar um sistema público de emprego que inclua vagas com exigência elevada de formação acadêmica. O Estado tem carência de pessoal capacitado. Mas os economistas alertam que nem sempre a indisponibilidade de mão de obra altamente capacitada é o mesmo que inexistência de profissionais preparados. Engenheiros que exercem a sua especialidade, no Brasil, são apenas 35% do pessoal que sai da faculdade – os outros mudam de área e, por exemplo, vão ser professores de matemática.
Em números aproximados, em 2007, Suape totalizava 8 mil trabalhadores. Ano passado, a cifra subiu para 18 mil. Em março do ano que vem, estima-se que as obras da Refinaria Abreu e Lima, que sozinha mobiliza atualmente 6.500 pessoas, cheguem a impressionantes 30 mil empregados.

Esses e outros cenários foram discutidos ontem por economistas e dezenas de executivos de empresas instaladas ou em implantação em Pernambuco. Foi no Arcádia Boa Viagem, na quarta edição do Suape Business Meeting, promovido pela Câmara Americana de Comércio no Recife (Amcham-Recife).

A economista Tânia Bacelar, da consultoria Ceplan, diz que Pernambuco tem quatro desafios a enfrentar. O primeiro é compreender a real dimensão do que Suape se tornou e ainda vai virar, com o gigantismo das demandas do complexo. Um outro é a articulação entre as diferentes iniciativas já abertas pelo poder público e iniciativa privada.

Outros dois aspectos são a necessidade de pensar simultaneamente o interior do Estado e o setor de serviços, que por muito tempo foi o motor da economia local.

"Seria muito importante Pernambuco criar um sistema público de emprego. Público porque a informação é pública. Mas não é o tradicional, nem necessariamente governamental, nem que seja mera intermediação de trabalho pouco qualificado", completa a economista.

Membro do Conselho da Agenda Global para o Futuro da América Latina, Jacques Marcovich, professor e ex-reitor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), já constata um déficit de 188 mil trabalhadores qualificados para atender à demanda por postos de trabalho em construção civil, educação, saúde e serviços sociais, até o fim deste ano, em todo o País.

Para ele, contudo, Suape sofre muito mais por sua expansão, tanto no aspecto do preparo da mão de obra quanto em outros, como na valorização imobiliária de seu entorno. Jacques usa números da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para ilustrar os déficits por qualificação profissional. E conta alguns casos impressionantes de demanda elevada por profissionais. Na siderurgia, Marcovich diz que a situação é tão grave que as empresas foram em busca de aposentados.

Fonte: Jornal do Commercio

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