terça-feira, 26 de maio de 2009

Cauê prepara instalação de fábrica no Paraguai e em Angola
São Paulo, 26 de Maio de 2009 - A Cauê, empresa da Camargo Corrêa Cimento, planeja estar entre as 20 maiores fabricantes de cimento do mundo até 2012, saindo da atual 32 posição com sua marca Cauê. E não está poupando esforços nem dinheiro para isso. Além de ter dado seu primeiro passo no Nordeste no ano passado, quando comprou uma moagem localizada no Complexo Industrial de Suape (PE), e estar investindo R$ 170 milhões em melhorias em suas fábricas no País este ano, a divisão de cimentos do Grupo Camargo Corrêa se prepara para crescer também fora do Brasil: está fazendo os últimos ajustes para dar início à construção de duas novas fábricas, uma no Paraguai e outra em Angola. Juntos, os dois empreendimentos demandam outros US$ 460 milhões.
"Temos um plano de longo prazo e estamos nos preparando para ele há tempos", disse o presidente da Cauê, Humberto Farias, ressaltando que, mesmo com a crise, há ainda muitas regiões que, na construção civil, têm muito para evoluir, caso da África e do próprio Brasil. "Até 2012, ainda teremos muito mais coisa para anunciar."
No Brasil - onde a indústria de cimento é liderada pela Votorantim, com 40% do mercado, e divide os outros 60% entre as nove empresas restantes -, a Cauê ocupa a quinta posição, com cerca de 5% da produção nacional, hoje em 51 milhões de toneladas ao ano. Dona de cinco fábricas em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, a Camargo Corrêa Cimentos concentra sua atuação principalmente nos mercados do Sul e Sudeste.
Nordeste em alta
A fábrica adquirida em Suape, em março do ano passado, foi o primeiro passo dado fora dessas regiões, e o primeiro investimento no sentido de aproveitar o potencial crescente do Nordeste. A unidade pernambucana possui uma área de 25 mil metros quadrados e capacidade para 450 mil toneladas de cimento anuais. "Neste ano, pela primeira vez, o consumo de cimento do Nordeste ultrapassou o da região Sul", ressaltou Farias.
Galgar mais posições dentro do mercado brasileiro, entretanto, não está entre as ambições da Cauê, e sim aproveitar a retomada da construção civil no País, que elevou o patamar de consumo a níveis suficientemente altos para que as empresas continuem crescendo. De 2003 a 2008, a produção de cimento evoluiu 47%, segundo o Sindicato Nacional das Indústrias de Cimento (Snic), e ainda deve ganhar uma capacidade 50% maior até 2012, quando a maior parte dos investimentos anunciados pelo setor deve estar concluída.
"As vendas de cimento em nenhum momento sofreram uma queda brusca com a crise", disse no início do mês o vice-presidente executivo do Snic, José Otávio Carvalho. Segundo o sindicato, as vendas do produto apenas interromperam o crescimento de dois dígitos que vinham registrando para flutuar entre 1% e 2% acima das médias do ano passado.
"Nossa ocupação não só está toda tomada como está pior que no ano passado", disse o presidente da Cauê, ressaltando que 2008 ficou famoso, em toda a cadeia da construção civil, por não ter produção e mão de obra suficientes que suprissem a súbita demanda.
Brasil x Argentina
Isso não só encoraja a Cauê a seguir investindo no Brasil, como deve fazer com que as vendas no País ultrapassem pela primeira vez a operação que a empresa possui na Argentina, a Loma Negra. Dona de mais de 40% do mercado de cimento argentino, além de também possuir um braço de transporte ferroviário, a Loma Negra foi comprada pela Cauê em 2005.
Além do US$ 1 bilhão gasto pela Cauê naquele ano para comprar a empresa, maior que ela mesma, foram investidos outros US$ 120 milhões nos anos seguintes para ampliar e modernizar a Loma Negra, em uma época em que, não só a indústria de cimento, como toda a Argentina amargavam ainda os resquícios de um período político- econômico turbulento.
De lá para cá o faturamento da Loma Negra saiu dos US$ 350 milhões de 2005 para os US$ 554 milhões com que fechou 2008, e a produção subiu das 4 milhões de toneladas de quatro anos atrás para as atuais 5,4 milhões. Mais sensível à crise, entretanto, o mercado de cimento argentino entrou estático em 2009, enquanto o brasileiro continuou se desenvolvendo.
Com isso, as 5,2 milhões de toneladas de cimento que a Cauê calcula vender este ano no Brasil devem, pela primeira vez, ultrapassar o volume comercializado pela Loma Negra - mesmo a subsidiária Argentina possuindo nove fábricas. Lá, as vendas devem ter uma pequena queda em relação a 2008, e fechar 2009 em 4,9 milhões de toneladas. "No primeiro quadrimestre o volume já foi maior aqui que na Argentina", disse Farias, que, antes de assumir a Cauê, no final do ano passado, presidiu a Loma Negra por três anos.
"Estamos direcionando os investimentos para o Brasil, que continua crescendo. O mercado brasileiro teve uma alta de 0,5% no primeiro quadrimestre, o que, tendo em vista como está o mundo, e a base alta de que vem, está ótimo", considerou. A receita da Camargo, que em 2008 foi de R$ 1,4 bilhão, deve subir a R$ 1,8 bilhão neste ano, prevê Farias.
Expansão
Consolidada no País, a Cauê procura novos potenciais para explorar. No Paraguai, irá investir US$ 90 milhões na construção de uma nova fábrica, com capacidade anual para 400 mil toneladas. Naquele país, a empresa já possui um centro de distribuição desde os anos 90, "mas não está sendo competitivo o suficiente para atuar entre as fabricantes locais", de acordo com Farias.
Em Angola, o investimento será bem maior, não só porque a fábrica equivalerá a quatro vezes a do Paraguai, como também por haver a necessidade de melhorias em toda a infraestrutura. "Há uma adicional que deve ir para investimento em estradas, geração de energia, estrutura portuária. Eles estão bem atrasados nisso", afirma Farias.
Inclusive, é justamente essa defasagem que faz de Angola e dos vizinhos africanos um dos maiores potenciais da construção civil dos últimos anos. A própria Camargo Corrêa está presente no país por meio de sua incorporadora. "A África só agora está alcançando sua maturidade democrática. Muita coisa lá ainda tem que ser construída ou reconstruída", disse. Angola, por exemplo, só deu fim à guerra civil em 2002, e desde então vem crescendo a taxas muito mais que chinesas - em 2007 seu PIB cresceu 20% e, em 2008, outros 15%.
O investimento lá será de US$ 370 milhões para uma fábrica de 1,5 milhão de toneladas ao ano, cerca de um quarto de toda a capacidade que a empresa tem no Brasil. Está sendo negociada desde pelo menos o ano passado e será feita em parceria com a angolana Gema, a portuguesa Escom e o próprio Grupo Camargo Corrêa, por meio do braço de engenharia que possui no continente africano. E não será o último: "Estamos vendo oportunidades em outros países da África, seja por meio de aquisição ou por construção de fábrica. A crise deixou muitos ativos interessantes", disse Humberto Farias. Tanto a unidade de Angola como do Paraguai devem começar a ser erguidas ainda este ano, para passarem a operar a partir de 2011.(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 1)(Juliana Elias)

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